"Laço Branco" dominou noite europeia do cinema

A última produção de Michael Haneke, “Laço Branco”, não deu margem de manobra à concorrência nos prémios da Academia Europeia de Cinema (EFA). A produção do cineasta germânico arrebatou os galardões para Melhor Filme do Ano, Melhor Realizador e Melhor Argumento. Para trás ficaram “Um Profeta” (Jacques Audiard), “Quem Quer Ser Bilionário?” (Danny Boyle), “Abraços Desfeitos” (Pedro Almodóvar), “Anticristo” (Lars von Trier) ou “Fish Tank” (Andrea Arnold), candidatos nas principais categorias do certame.
O filme conta a história de um grupo de crianças condenadas a crescer no dogmatismo de um continente europeu a meses do início da Primeira Guerra Mundial. Uma trama que acompanha a vida dos adolescentes de um coro ao encargo das pessoas mais influentes da aldeia, enquanto a população em geral se vai dando conta de vários acidentes bizarros que assumem ser punições da imoralidade. A película é a visão de uma Alemanha prestes a tornar-se nazista e virar as suas costas ao mundo, uma (não)ficção centrada numa pequena povoação, como metáfora de um todo futuro.
“Laço Branco” já havia sido premiado no último Festival de Cannes com a Palma de Ouro, oito anos depois de o cineasta germânico ter recebido o Grande Prémio do Júri (“O Pianista”, 2001) e quatro anos depois obtido o galardão de Melhor Realizador, por “Nada a Esconder” (2005), película também vencedora do prémio de Melhor Filme Europeu em 2005. De realçar ainda os prémios Especial do Júri e da Crítica para “Brincadeiras Perigosas” (1998), no Fantasporto desse mesmo ano, engrossando as mais de três dezenas de galardões da colecção pessoal de Haneke, um realizador cujas obras se caracterizam essencialmente por uma violência extrema, nem sempre fácil de assistir, mas que encerram os mais profundos e negros desejos humanos.
O júri da cerimónia que decorreu no Vale Ruhr, em Bochum, Alemanha, surpreendeu desta forma ao atribuir apenas o prémio de Melhor Actor a Tahar Rahim, intérprete que deu corpo a Malik em “Um Profeta”, de Jacques Audiard, uma produção francesa com seis nomeações e a favorita a grande vencedora da noite. A estatueta de Melhor Actriz foi para Kate Winslet (“O Leitor”), enquanto que “Quem Quer Ser Bilionário?”, a segunda película mais nomeada, ficou-se pelo galardão de Melhor Filme na votação do público. “Abraços Desfeitos”, de Pedro Almodóvar ganhou o prémio de Melhor Música, da autoria de Alberto Iglesias.
A cerimónia que já teve lugar em Berlim, Barcelona, Roma, Paris, Londres, Varsóvia e Copenhaga ficou marcada pela ausência de nomeados como Penélope Cruz, Pedro Almodóvar ou Kate Winslet. Quem não faltou foi o antigo futebolista Eric Cantona, responsável pela entrega do Prémio Carreira a Ken Loach, cineasta que dirigiu o atleta em “À procura de Eric”. Nesta 22ª edição da EFA galardoou ainda a actriz francesa Isabelle Huppert com a Distinção Europeia no Cinema.

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