Sócrates acusa PCP de querer lançar «crise política»
- 21 Maio 2010
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Foi durante a sessão de abertura do debate principal de hoje no Parlamento, que o Primeiro-ministro defendeu o Governo das críticas das bancadas parlamentares que se «juntaram» ao PCP no apoio à «irresponsável moção de censura» apresentada. A crítica é dirigida aos comunistas e Bloco de Esquerda, que lideram aquele acto de “admoestação”, mas refere-se também à tomada de decisão de PSD e CDS-PP, que anunciaram previamente a intenção de se absterem neste assunto. As posições vieram a confirmar-se, com a votação, que ditou a rejeição da moção de censura, que recebeu votos contra do PCP, BE e Verdes, que ainda assim não foram necessários para anular a vantagem obtida pelo "sim" do PS, e abstenções de PSD e CDS-PP.
As afirmações de José Sócrates vão de encontro à necessidade que vem sendo proclamada por economistas e comentadores políticos, defensores acérrimos da “urgência” dos partidos políticos terem de mostrar coesão, agora, mais do que nunca. Uma união que Passos Coelho tinha demonstrado até aqui com o apoio a algumas decisões dos socialistas, mas que desta vez não contam com o aval positivo do maior partido da oposição.
Entre as principais notas que levaram os comunistas a tomar esta iniciativa que chama a atenção para alguns pontos de governação do país, o secretário-geral do partido acusa o Governo e PS de serem os «responsáveis» pela «crise e estagnação» de Portugal, que usam do argumento das dificuldades dos mercados e actos de especulação para se «libertarem da sua responsabilidade». O líder comunista desvaloriza mesmo uma eventual queda do Governo, frisando que «o povo encontrará sempre uma alternativa em Democracia» para resolver essa situação.
Em resposta às duras críticas do PCP no que concerne às últimas medidas de austeridade, o Primeiro-ministro realça o «oportunismo político» dos comunistas que, «por extraordinário que pareça, consideram este o melhor momento para deitar a baixo o Governo e convocar novas eleições», reprova José Sócrates. Esta atitude é tomada numa altura de «plena crise nos mercados financeiros e perigoso do ataque especulativo e sistémico» de que estão a ser alvo os países da Zona Euro, mas que é «aproveitada» por um «Parlamento, o único da Europa», que se «reúne para discutir se o país deve ser mergulhado numa crise política», sublinha, fervorosamente, o líder dos socialistas.
As fortes acusações do secretário-geral do PS foram seguidas pela justificação na base da imposição de novo aumento da carga fiscal, que são impostas de acordo com critérios de «justiça social e uma justa distribuição dos esforços», com vista à futura «sustentabilidade da Segurança Social, Serviço Nacional de Saúde e escola», salienta.
Naquele acto que o PCP considera representativo de «um profundo e largo sentimento de indignação e protesto» em relação às medidas de austeridade impostas pelo Plano de Estabilidade e Crescimento (PEC), Jerónimo de Sousa não recua na sua posição, reiterando a necessidade desta moção de censura, defendendo que tem de ser contrariada a atitude do Executivo, PS e PSD, que exercem chantagem «sobre um povo que, levando pancada, devia comer e calar», quando esta subversão passa sob a desculpa de «fazer crer aos portugueses que os sacrifícios tocam a todos por igual»
O hemiciclo onde foi debatida a moção de censura, não terminou sem que José Sócrates voltasse a demonstrar o enorme desagrado face à atitude «irresponsável» de apoio a esta “admoestação”, que o líder socialista acreditava que iria «ser derrotada, como merece», o que se veio a confirmar pela rejeição em votação, rrevelando, desta forma, uma «vitória do sentido de responsabilidade e estabilidade política», remata Sócrates. Em resposta, Jerónimo de Sousa conclui afirmando que secretário-geral dos socialistas «não se iluda nem queira iludir», porque «a situação resulta de um processo de políticas erradas e do vergar de servil no quadro da União Europeia e moeda única», encerra o comunista.
